
Universo, Via Láctea, Terra. Baleias, cavalos, bois, pássaros, cães, gatos e gente: Todos caímos aqui sem saber como. Fomos enviados por uma força inteligente, matemática, não importa sua crença. Tanto que a ciência se aproxima a cada dia mais da existência de Deus em suas equações. Aqui, somos todos de carne, nervo e osso. Sentimos coisas como medo, fome, dor e alegria! E por que nos apiedamos de uns, e não de outros, se todos merecemos igualmente este lugar? E por que repetimos: "as baleias são lindas! Os cachorros são inteligentes e amigos... Odeio gatos!" Gatos não são diferentes de outros bichinhos. Gatos querem abrigo como todos os animais domésticos, querem segurança, sentem medo. Não abanam o rabo porque sua natureza é diferente, porque todas as espécies manifestam-se conforme sua exclusiva determinação genética. Queremos que os gatos façam o que para eles é impossível, assim como eles não exigem que a gente fique latindo. “Mas gatos se lambem, são sujos, transmitem doenças”... a mentira, quando é repetida muitas vezes, vira verdade. Goebbels, o publicitário de estimação do abominável Hitler, sabia disso. E tinha razão, sendo genial em seu tenebroso propósito. A gente começa a repetir como papagaios, sem raciocinar, o mantra contra os gatos até que a coisa se torne cultural, até que aniquilemos todos da face da Terra achando isso muito natural, como fizeram os nazistas com os judeus e ciganos, convencendo até as mentes mais brilhantes. Fato é que não somos papagaios, que por sua natureza repetem sem pensar. Somos gente. Entretanto, condenamos os gatos por não fazerem o que é de outra espécie fazer. Veja que flagrante! Sim, gatos transmitem doenças somente se não forem cuidados. Cães também. Gente mais ainda. Não tem nada mais podre do que gente sem higiene. Nesse quesito, os gatos são bem mais limpos no auge de sua mendicância. Gente fede até quando toma banho. “Mas gato não gosta de ninguém, é folgado”. Gato é o que é: dorme delícia, não enche o saco nem manifesta carência excessiva. É discreto – parece até que sabe que se não for, será eliminado. Consome pouca ração, não gosta de descer, já nasce ensinado a fazer cocô na areia. Ninguém sabe como! É um tipo de mágica de Deus, que deu para eles esse talento diferenciado porque os ama também. Baleias, cavalos, bois, pássaros, cães, gatos e gente: todos temos nossos talentos particulares. Viemos para nos completar nessa nave solitária perdida no universo. Mas nós temos uma grande responsabilidade que eles não têm porque temos um cérebro privilegiado. Falamos e temos a capacidade de entender esse complexo código, mas somos incapazes, ainda, de sentirmos o que há de mais elementar dentro de nós: tolerância, amor e caridade. Sobre passarinhos engaiolados, o extermínio dos bois, dos porcos, dos cavalos exportados para o oeriente médio (mortos exclusivamente via serra nas patas, por ausência de sangue, em matadouros clandestinos - somos o maior exportador dessa carne) e tantos outros, falaremos depois. Eles merecem o mesmo número de linhas.